May 2013
I wish people were all trees and I think I could enjoy them then.
– georgia o’keeffe, 1921 (via bunny-gal)
You are, at once, both the quiet and the confusion of my heart.
– Franz Kafka (via barbieandken)
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Sento-me no jardim, a fumar
e a olhar para o que vou deixar.
Nunca imaginei que me pudesse
acontecer uma coisa destas,
passo os dedos por objectos
que nunca tocara antes, quero
saber o nome de todas as folhas
destas flores. Se há mãos pretas
são de tinta de jornal (era no tempo
em que os jornais cheiravam
a tinta), ou então as mãos
pareciam escuras, mas não eram,
havia só uma sombra...
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Há janelas que esperam que lhes sacudas a paisagem do parapeito, que lhes laves das vidraças essa vã memória de terem havido roseiras no horizonte do seu olhar; que lhes soltes do peito os interiores, verões passados à sombra dos barcos que naufragam no meio do tecto. Exposições nunca antes vistas dos humores de violetas, deixadas secas, sob a robustez de uma secretária cega. Há portas que rangem,...
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morrer de vez em quando
é a única coisa que me acalma.
– Paulo Leminski
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A carne quer carne
– Ausías Marc
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A extensão da minha liberdade mede-se pela quantidade de gente que não consegue...
– Miguel Martins
in Penúltimos cartuchos, Tea for one
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e tu sussurras:- não, não afastes a boca da minha orelha.
derrama dentro dela aquilo que não consegues dizer em voz alta.
e eu digo:
- as tuas mãos queimam-me a fala.
tu sorris, dizes:
- vem , sem medo, pela aridez do meu corpo.
no fundo de mim existe um poço onde guardo a tua imagem. é tempo de ta devolver. é tempo de te reconheceres nela.
Al Berto
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numa noite de audácia incomparável
passo a tratar-te por tu, e abraço com as pontas dos dedos
os nós das tuas mãos; no fresco calor condicionado
de um quarto onde a luz não dá para ler, recito
estrofes e mitos; beijo-te, não é? nada estava escrito,
nenhuma verdade comum aos planetas,
éramos só nós sem nenhum segredo,
vivos e completos, serenos, mortais
António Franco Alexandre
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